Nos últimos anos, a contratação no modelo PJ deixou de ser exceção e passou a aparecer cada vez mais nas vagas e, naturalmente, isso desperta dúvidas. Mas não se preocupe, afinal, muita gente sente a mesma incerteza quando encontra esse tipo de proposta pela primeira vez.

Por isso, entender o que é PJ e o que significa trabalhar como pessoa jurídica pode te ajudar a tomar alguma decisão. Neste artigo do Cartão Atacadão, você vai descobrir como esse formato funciona na prática e por que ele tem se tornado tão comum no mercado.

O que significa PJ?

No contexto trabalhista, ser PJ (Pessoa Jurídica) significa trabalhar prestando serviços como uma empresa e não como uma pessoa física, como acontece no modelo CLT. 

Em vez de ter um vínculo empregatício tradicional, o profissional abre um CNPJ e passa a emitir notas fiscais pelo serviço que oferece. Ou seja, você atua como um prestador de serviços autônomo, com mais autonomia sobre a sua rotina, mas também com mais responsabilidades administrativas.

Fora do mercado de trabalho, o termo PJ representa uma entidade jurídica, sendo uma empresa formalizada. Já dentro das relações profissionais, ele ganhou um significado mais específico: um formato de contratação, usado por empresas que buscam flexibilidade e por profissionais que querem mais poder de negociação.

Na prática, ser PJ envolve negociar valores, organizar seus próprios impostos e entender os direitos e limites desse modelo antes de tomar qualquer decisão.

O que significa CLT e PJ?

A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) é o conjunto de regras que organiza as relações trabalhistas formais no Brasil. Então, quando você trabalha neste regime, existe um vínculo empregatício direto com a empresa.

Isso garante benefícios obrigatórios, como férias remuneradas, 13º salário, FGTS, horas extras e uma série de proteções previstas em lei. Em suma, o profissional CLT segue todas as normas da legislação trabalhista e tem direitos assegurados por ela.

Já o PJ, por outro lado, funciona de maneira bem diferente. Aqui, você não é empregado da empresa, mas sim um prestador de serviços que atua por meio de um CNPJ. Nesse caso, a relação não segue a CLT, porque não existe vínculo empregatício.

Além de não ter direitos como férias, 13º ou FGTS garantidos por lei, neste modelo, você negocia diretamente os seus valores, prazos e condições de trabalho, combinando tudo em contrato. 

Como ser PJ?

Agora que você já sabe o que é PJ e seu significado, vamos a tudo aquilo que envolve como se tornar PJ. Para isso, basta formalizar um CNPJ e organizar como você vai prestar os seus serviços. Abaixo, nós apresentamos a você um passo a passo sobre o assunto:

  1. Entenda qual tipo de empresa faz mais sentido para você: antes de tudo, vale decidir se você será MEI, EI ou Sociedade Limitada.
    • O MEI costuma ser o mais comum para quem está começando, porque é barato, simples e tem menos burocracia;
    • Já outros formatos servem quando você fatura mais ou precisa de atividades que o MEI não permite.
  2. Verifique se a sua atividade pode ser MEI: no site oficial do governo, existe uma lista de atividades permitidas para MEI. Caso a sua não esteja lá, você pode abrir uma microempresa (ME) ou empresa individual, mesmo trabalhando sozinho. 
  3. Abra o seu CNPJ no portal do Gov.br: o processo de abertura é todo online, feito em poucos minutos. Você vai:
    • Preencher os seus dados pessoais;
    • Escolher as suas atividades (CNAEs);
    • Inserir o seu endereço de atuação;
    • Concluir o registro.
  4. Gere o seu Certificado de Condição de Microempreendedor Individual (se for MEI): depois de finalizar o cadastro, você já poderá acessar o documento que comprova a sua formalização. Guarde-o, pois ele é imprescindível para contratos.
  5. Regularize a Inscrição Municipal: a inscrição municipal permite que você emita notas fiscais de serviço. A liberação é feita pela prefeitura da sua cidade e, muitas vezes, também pode ser concluída online.
  6. Organize os seus impostos: se possível, conte com um contador, já que isso evita erros e dá a certeza de que tudo está regular. Inclusive, aqui está uma diferença importante:
    • MEIs pagam um valor fixo mensal através da DAS;
    • Outras categorias pagam impostos que variam conforme o faturamento e o regime tributário.
  7. Configure a sua emissão de notas fiscais: após a inscrição municipal, você terá acesso ao sistema da prefeitura para emitir NF. É por meio delas que você formaliza o serviço prestado para a empresa que te contratou.
  8. Tenha um contrato de prestação de serviços: como o PJ não segue a CLT, tudo deve estar registrado por contrato. Ele precisa deixar claro o:
    • Escopo do trabalho;
    • Valor do serviço;
    • Formas de pagamento;
    • Prazos;
    • Direitos e responsabilidades das duas partes.
  9. Organize a sua vida financeira como empresa: esse é um processo de extrema importância, já que como PJ, essa responsabilidade é sua. Aqui é importante:
    • Criar uma reserva para férias, 13º salário e imprevistos;
    • Anotar todos os seus recebimentos;
    • Acompanhar os seus gastos e impostos.

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A partir de qual salário compensa ser PJ?

É importante mencionar que não existe um valor “mágico” que determine quando ser PJ compensa, porque isso varia muito de pessoa para pessoa. Atualmente, cada profissional tem um custo de vida diferente, metas financeiras próprias e prioridades que podem influenciar na decisão, como estabilidade ou flexibilidade.

Além disso, ao trabalhar como PJ, você passa a assumir gastos que antes eram cobertos pela empresa. Mas, de forma geral, muitas pessoas consideram que este modelo vale a pena quando o valor oferecido cobre esses custos adicionais e ainda assim mantém um ganho líquido maior do que o salário CLT equivalente.

Para facilitar essa comparação, hoje existem diversas calculadoras de PJ x CLT disponíveis na internet, que ajudam você a visualizar quanto realmente precisa ganhar como pessoa jurídica para compensar a mudança, considerando todos os impostos, benefícios e reservas.

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